O PRIMEIRO HOME OFFICE…

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A GENTE NÃO ESQUECE!

OSCAR É UM EXECUTIVO QUE MORA NO TATUAPÉ E TRABALHA NO MORUMBI, SONHA COM O DIA EM QUE DESFRUTARÁ DO HOME OFFICE.


ESSE DIA FINALMENTE CHEGA, MAS NÃO FOI COMO ELE SONHOU. AFINAL, O PRIMEIRO HOME OFFICE A GENTE NÃO ESQUECE…

MUITA GENTE SONHA EM TRABALHAR EM CASA, INCLUSIVE OSCAR.
Oscar é responsável pela captação de dados, análise e elaboração de um relatório gerencial de suma importância para a empresa. Ele não pode errar!
Quinzenalmente Oscar encaminha esse relatório gerencial, que pode mudar radicalmente o rumo da empresa, à Diretoria.
Seu diretor, preocupado com os vários desvios de atenção provocados pelo fluxo de pessoas, ligações externas e tantas outras coisas, sugeriu ao Oscar que trabalhasse Home Office dois dias a cada quinzena.
Oscar imediatamente aceitou e sorriu por dentro: 2 dias em casa! Sem ter que acordar de madrugada para se barbear, sem ter que usar o terno e a gravata, sem enfrentar o trânsito duas horas para ir e para voltar…
Ia poder tomar café calmamente com a esposa, levar as duas filhas para a escola e almoçar a comida caseira da dona Odília, a colaboradora que eles contrataram há 3 meses.
Saiu do escritório pisando nas nuvens, não via a hora de chegar em casa e contar para sua esposa, Karen, a novidade: ele acabara de entrar na modernidade! Agora ele também era Home Office!
De fato, isso era uma coisa que o incomodava. Karen, contadora, desde que teve a primeira filha do casal, Isadora, há 5 anos, era freelancer e trabalhava em casa. Aparecia uma vez por mês no escritório contábil para apanhar alguns documentos e discutir sobre os clientes mais difíceis. Tinha tempo para tomar café com as amigas uma vez na semana, descia para a academia do prédio todos os dias e até tomava sol na piscina às vezes.
Ele chegou em casa, largou a pasta no sofá, abraçou Karen e disse: – Adivinha quem também vai ficar na moleza 2 dias?
Karen não entendeu o que ele falava, mas sorriu: – Conta logo, qual é a novidade?
Oscar encheu o peito e disse: -Vou fazer home office amanhã e depois.
Karen olhou nos olhos dele e sentiu pena. Pensou: Ele disse moleza? Logo vai descobrir que o buraco é mais embaixo.
– Muito bem, querido! Vamos ver como você se sai… Agora, me ajude a colocar as meninas no quarto, elas estavam te esperando e acabaram dormindo no sofá. Ainda tenho trabalho a fazer. Acho que vou virar a noite…

COMPROMETIMENTO, FOCO E CONCENTRAÇÃO

Ao deitar-se Oscar não colocou o despertador para tocar, ia acordar espontaneamente, tinha tempo…
Seu chefe estaria longe, não iria medir seu comprometimento.
Pela manhã, acordou às 9 horas com uma ligação do chefe. – Estava dormindo, Oscar??
-Não – respondeu ele atrapalhado – é que você é a primeira pessoa com quem falo hoje.
-Tudo bem, respondeu o chefe desconfiado – Enviei umas informações que quero que você analise antes de montar o relatório, qualquer dúvida me liga.
Karen não estava na cama. Levantou-se e foi até o escritório, já estava debruçada no seu Mac.
Deu-lhe um beijo na testa e perguntou das meninas. Já estavam na escola há 2 horas. Ela não iria para a academia hoje? Já tinha ido. -Bom, então vamos tomar café, disse ele.
– Não posso, querido, preciso manter meu comprometimento. Hoje tenho que atualizar balanços de 4 empresas. Quem sabe amanhã, se você acordar mais cedo.
Ela parecia nunca desviar seu foco e concentração.
Ele sentou-se contrariado à mesa da cozinha. Por que tanta rigidez nos horários? Ela está trabalhando em de casa!
Dona Odília trouxe seu café. Ela não parava de falar. Ele querendo planejar mentalmente seu dia, ela não deixava. Tomou banho, colocou uma camiseta, bermuda e chinelo e lá foi para sua escrivaninha.
Dona Odília vinha a cada cinco minutos perguntar se ele precisava de alguma coisa. Karen balançava a cabeça e sorria – ia deixar ele aprender a colocar limites na senhorinha tão prestativa.
Lá pelas onze e meia ela sossegou. Ele respirou aliviado, mas não conseguia ter concentração.
Reparou que Karen estava vestida e maquiada como quem vai sair.
Karen calmamente levantou, arrumou suas coisas numa mochila, abriu a porta, soltou um beijinho no ar e sumiu.

Onde ela teria ido?
Dona Odília na cozinha batia panelas, cantarolava. Arrumou a mesa e avisou que ia buscar as meninas na escola.
Silêncio, enfim.
Ele começou a organizar seu trabalho, respondeu ao e-mail do chefe. Já tinha várias informações compiladas. Agora ia analisar os dados para fazer o relatório, nesse momento precisava de foco e concentração. Precisava compensar a falta de produtividade da manhã. Mergulhou nos dados e estava completamente envolvido no trabalho quando a porta da sala é quase arrombada por duas garotinhas. Parecia uma invasão.
A menor, Sophia, de 2 anos, chorava manhosa e Isadora queria contar sobre uma briga com uma coleguinha. Ficaram excitadas com a novidade, papai estava em casa! Logo subiram no seu colo, remexiam nos papéis. Ele tirava Sophia e Isadora subia, ele não lembrava se o software do laptop estava configurado para gravar automaticamente, fazia tanto tempo que não o utilizava.
Onde estariaa Karen? Logo agora que ele havia conseguido foco e concentração, voltava à estaca zero e estava completamente perdido.

QUAL SERIA MESMO A VANTAGEM DO TRABALHO REMOTO?

Qual seria mesmo a vantagem do trabalho remoto?

Como Karen conseguia ter foco, concentração e produtividade nesse caos? Ele já estava com saudades doescritório e se perguntava qual seria mesmo a vantagem do trabalho remoto.
Após o almoço as meninas dormiram. Dona Odília fez café. Ele tomou e disse que era seu primeiro dia trabalhando em casa e o barulho do ambiente não deixava ele se concentrar.
Voltou à sua escrivaninha e percebeu que Dona Odília se esforçava em fazer silêncio.
A tarde transcorreu bem, ele estava terminando o relatório, só faltava revisar os dados quando Karen abriu a porta da sala. Já eram 6 da tarde e as meninas estavam banhadas e a mesa da janta posta.
Karen beijou-o e perguntou como tinha sido o dia. Ele estava furioso com o sumiço dela mas não quis demonstrar.
Todos sentaram-se à mesa. Foi a primeira vez que eles faziam isso juntos durante a semana. Conversaram animadamente. Oscar estava disposto e sugeriu um passeio a pé pelo bairro. Era uma noite quente e poderiam tomar um sorvete a duas quadras dali.

HOME OFFICE FORA DE CASA?

Karen então perguntou novamente sobre seu primeiro dia de Home Office e Oscar admitiu ter sido difícil. Não sabia se valia a pena trabalhar em casa.
Eram 8:15 da noite e ele tinha jantado com a família e estava caminhando pelo bairro, coisa que fazia raramente.
-Você estaria chegando em casa agora se tivesse que atravessar a cidade, disse ela. Ele concordou. Também tinha almoçado com as crianças. Com planejamento e disciplina ficaria mais fácil manter o foco.
-E onde você se meteu?
-Eu precisava respirar, ver gente, e ao mesmo tempo me concentrar. Você estava agitado. A dona Odília ficou agitada também com a sua presença. Você precisava se “achar” profissionalmente em casa. Eu não quis interferir no seu processo. Então resolvi fazer um outoffice.
Outoffice? Perguntou ele intrigado.
-É fazer Home Office fora de casa. Quando vi a casa pegando fogo, acessei o www.outoo.com.br, achei o Frans Café do Anália Franco, corri prá lá.

Fran's Café - sugestão para um outoficce.
Fran’s Café – sugestão para um outoficce.

Às vezes para manter o equilíbrio, só fazendo Outoffice –Quebrando a rotina.

Os olhos dele brilharam. Nem tudo tinha sido ruim nesse primeiro dia. Karen tinha razão, pensava ele. Realmente falhei no planejamento e na disciplina. Trabalhar home office não é brincadeira.
Ao voltarem para casa, quando tudo estava em absoluto silêncio, Oscar pegou sua agenda e celular.
Programou levantar-se uma hora mais cedo. Iria tomar café com a esposa e as filhas, levá-las à escola. Na volta tomaria seu banho e trabalharia a parte da manhã num outoffice enquanto Dona Odília provocaria terremotoscom o aspirador de pó. Buscaria as meninas na escola e almoçaria com elas.

QUANDO SUA AUSÊNCIA VALE MAIS QUE SUA PRESENÇA

No dia seguinte, Oscar ligou para o chefe às 9 em ponto. Já estava no outoffice e queria comentar sobre uma proposta de redução de custos com aumento da produtividade.
A rotina do escritório havia engessado sua forma de pensar. Experimentarnovas possibilidadesabriram sua cabeça e as ideias estavam brotando.
Esse relatório seria o melhor de todos que já tinha feito.
O chefe não parecia surpreso. Tinha trabalhado no Vale do Silício e sabia que com comprometimento, no home office, SUA AUSÊNCIA VALE MAIS QUE SUA PRESENÇA.

Texto: Amália Maldonado
Revisão: Fernanda Mourão

2 respostas para “O PRIMEIRO HOME OFFICE…”

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