QUEM TEM MEDO DE CAVEIRA?

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HALLOWEEN DO MÉXICO

 

Halloween – Uma aventura no México

Otto e Marina viajaram para o México. Ele a trabalho e ela em férias. No melhor estilo de bleisure, iriam combinar a rotina de trabalho dele com o lazer do casal.

Marina, sempre sonhadora, queria aprofundar a relação ainda mais. Era difícil os dois poderem viajar juntos. Preparou-se para um clima romântico.

Como a viagem surgiu de última hora, pois a rotina de Otto era Zero Grau, ela nem tinha planejado nada, nem pesquisado.

Desceram do avião e pegaram um táxi até o hotel. De repente começou a aparecer pelo caminho lojas com caixões funerários forrados de um tecido roxo, numa tonalidade horrível.

Marina exclamou: – Credo, quantas agências funerárias!

Otto apenas sorriu.

Imagens de caveiras pipocavam de todos os lados. E até algumas pessoas na rua estavam maquiadas com o rosto pintado de branco, simulando essa figura tão sinistra.

A moça ficou em pânico: – Que lugar mais macabro! Ela arregalou os olhos, realmente estava chocada.

 

DIA DE LOS MUERTOS – O HALLOWEEN MEXICANO

O namorado ria, enquanto ela se agarrava no seu braço, realmente com medo.

– Que pessoal estranho. O que está acontecendo aqui? Disse ela quase sussurrando.

-Esqueci desse detalhe. Estamos no final de outubro. Logo chegará o Dia de Los Muertos.

-Ah, o Halloween? Disse ela suspirando.

-Mas não é qualquer Halloween! Estamos no México! Riu ele.

-Meu Deus, que coisa estranha… Eu queria uma viagem romântica. Estava em outro clima. Desabafou Marina. – Ao invés de rosas e corações, bombons e vinho, o que me espera?

-Bom, ao invés de rosas, vamos ter umas coroas de flores para os mortos. Esqueça os corações, agora só caveiras, abóboras, caixões e, se você der sorte, algumas bruxas. Vamos tomar tequila para brindar aos mortos e os chocolates estão todos nos temas dessa festa típica.

Cada frase que Otto dizia era acompanhada de uma careta da noiva.

– Se eu soubesse, não tinha vindo… Que coisa horrorosa! E eu vou fazer o quê enquanto você trabalha? Essa cidade está toda parecendo um cemitério… Reclamou ela.

-Bom, as atrações turísticas estão todas aí. As caveiras não tiraram nada do lugar. Ele ria cada vez mais e começou a elencar:

 

  • O  Museu Frida Kahlo, ou a casa azul, como é chamada aqui pelo nativos.
  • O Castelo de Chapultepec, que fica numa colina, no centro de um bosque.
  • El Zócalo, uma das maiores praças do mundo.
  • O Templo Mayor dos astecas que foi um dos principais, quando a Cidade do México chamava-se  Tenochtitlan.
  • A pirâmide do sol que é a terceira maior do mundo! Uma maravilha. E tem muitas outras coisas para se ver. É uma cidade muito rica em arte e história.
  • Para você que gosta de comprar marcas famosas, dê uma passeada na Zona Rosa e Polanco, tudo é mais em conta que no Brasil. E ainda tem umas lojas de artesanato local.

Ele tentava acalmá-la: – E você estará sob a proteção do Ángel de la Independencia, na praça de la Reforma. Nosso hotel fica bem próximo dele.

-Não acredito que eu trouxe minhas melhores roupas para passar oito dias num velório… Marina estava desconsolada.

-Acalme-se, sei que é um choque. A primeira vez que vim, também achei tudo muito estranho, mas logo você se acostumará. E depois, só vamos ficar aqui quatro dias, depois iremos à Cancun.

 

Flores para los muertos: celebração típica mexicana

 

FLORES PARA LOS MUERTOS

 

Otto adorava praia e sempre que podia fazer essa mistura de negócios com lazer em algum litoral, não perdia a oportunidade.

Chegaram ao hotel e já era tarde da noite. Ele sugeriu que tomassem um banho e depois jantassem no restaurante Número 20 el Angel, no  Paseo de la Reforma.

À Marina, não havia outra escolha se não se conformar.

O restaurante ficava muito próximo do hotel e foram a pé.

Passaram por lojas de roupas e acessórios femininos e todas decoradas em tons roxos (que ela odiava). Uma loja de sapatos masculinas tinha um caixão na vitrine. Ao passarem, ela agarrou novamente forte no braço do noivo. Não conseguia nem olhar aquilo. Amanhã cedo Otto iria aos seus encontros profissionais e ela teria de andar sozinha naquelas ruas cheias de coisas que remetiam ao seu pior pesadelo. Odiava qualquer coisa que lembrasse funerais.

No restaurante, enquanto jantavam, passou uma índia mexicana. Ela era gorda, de cabelos grisalhos em trança longa adornada por rosas, e vestida tipicamente, toda colorida, com um cesto de flores. Olhou fixamente para Marina, aproximou-se dela e disse com uma voz gutural que lhe fez percorrer um frio na espinha: – Flores para los muertos!

Otto logo disse que não queriam. A vendedora insistia, mas ele foi firme e logo ela se afastou.

-Vou odiar esses dias nesse lugar de gente maluca. Marina estava muito brava.

-Não fique assim, se você não estiver bem, eu não vou conseguir trabalhar direito.

Ela respirou fundo e prometeu que daria um jeito de se divertir. Nem que ficasse todos os dias vendo séries na TV do quarto do hotel.

Os imprevistos sempre acontecem. Viagens não programadas às vezes saem muito erradas. Os choques de cultura são muito frequentes. E as pessoas que não estão acostumadas a passar por isso, precisam de um tempo para se acostumar.

 

Catrina, uma caveira símbolo da festa mexicana

 

UM CULTO COLORIDO E DIVERTIDO

No dia seguinte, Otto deixou Marina no Centro Histórico e foi para seus compromissos.

Os mexicanos são simpáticos e hospitaleiros. Adoram os brasileiros. E, embora cultuem os mortos como os índios da colonização faziam, esse culto é colorido, divertido e visto de uma forma totalmente contrária àquilo que a moça trazia como conceito do Brasil.

O dia dos mortos, para os mexicanos, é uma grande festa, uma comemoração tão enraizada assim como é para nós, o carnaval.

Não há tristeza, nem peso. Há a alegria de poder imaginar que nesse dia os mortos sairão de onde estão e virão comungar e rever seus parentes. Inclusive “ comem juntos” numa grande festa.

Pouco a pouco o inconsciente coletivo tomava conta dessa brasileira assustada.

No fim da viagem, ela havia comprado muitas caveiras de chocolate e pan de muertos em forma de dedos e ossos. Apaixonou-se pela Catrina, uma caveira símbolo da festa. Fez questão de trazê-la na mala.

 

VIAJAR PARA ROMPER CRENÇAS E BARREIRAS

 

Ao embarcar para o Brasil, trazia a sensação de que tinha desperdiçado tempo naquele lugar tão fantástico. Poderia ter usufruído muito mais daquela cultura, se não tivesse trazido com ela o preconceito e um medo infantil. Tudo é uma questão de como se vê.

Além disso, ela no começo sofreu um pouco com a comida picante também, mas ao deixar essa terra tão alegre, fez questão de levar consigo uns potes de chili.

Pode ser que não tenha sido a viagem mais romântica da sua vida, mas com certeza ela entendia agora o jeito simples e alegre de viver do Otto. Ele estava sempre aberto a aprender e conhecer novas culturas.

Viajar é um jeito de romper crenças e barreiras, enquanto aprendemos a relativizar nossas concepções.

Afinal, tudo saiu bem nesse bleisure, e a noiva pode viver um pouco da sua rotina, enquanto enriquecia a sua cultura. A rotina zero grau tinha lá suas vantagens.

Marina se despediu do México agradecida pelas lições e pelas emoções que lá viveu. Ela estava transformada e decidida a tornar a vida mais leve.

 

E você, tem alguma história de viagem que mudou a sua visão das coisas? Conte sua história nos comentários.

 

 

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