Trabalho flexível X sustentabilidade das cidades?

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A questão da flexibilidade na rotina de trabalho foi tema do evento que fez parte do Circuito Urbano da ONU HABITAT 2019 que termina hoje, 31 de Outubro, Dia Internacional das Cidades, e contou com uma palestra das empresárias que compõem o NEFT, conforme contamos no post anterior. E as discussões sobre o impacto da flexibilidade na sustentabilidade das cidades geraram muitas questões.

O NEFT – Núcleo de Estudo do Futuro do Trabalho, em que nós do Outoo fazemos parte, através da proposta de REPENSAR – CO-CRIAR – COMPARTILHAR, estuda as questões fundamentais do trabalho e  busca saber como as transformações estão acontecendo e qual o impacto que dessa crescente tendência na vida de todos nós.

Por essa razão vem observando as mudanças e promovendo debates para buscar a melhor e mais inteligente forma de trabalhar.

Mas, antes de nos debruçarmos nas respostas, vamos fazer uma viagem pelo tempo e saber como São Paulo se transformou em uma das metrópoles mais importantes da América Latina? 

Vem com a gente!

São Paulo: o nascimento de um grande Estado

Após a independência do Brasil, São Paulo se transformou em uma província, e até 1.985 tinha somente 130 mil habitantes. Porém, ainda no final do Séc. XVIII, em apenas 5 anos o número de moradores saltou para 239.820!

A causa da drástica mudança econômica e social foi a expansão da lavoura cafeeira em várias regiões, recebendo centenas de imigrantes europeus. 

Naquela época, os colonos das fazendas moravam dentro do local de trabalho e faziam todas suas atividades em um mesmo lugar. Provavelmente, aquela geração nasceu, viveu e morreu sem saber o que seria a hora do rush ou o estresse de congestionamentos, violência urbana ou ruas alagadas.

Mas essa calmaria não durou muito. Logo, iniciou-se a expansão da área urbana surgindo as primeiras linhas de bondes, reservatórios de água e a iluminação a gás. Era o prenúncio de que a revolução industrial estava cruzando o Atlântico e logo chegaria à futura grande cidade.

Brás e Lapa – os primeiros bairros operários de São Paulo

Os bairros que nasceram nas várzeas dos Rios Tamanduateí e Tietê, acompanhando os trilhos da estrada de ferro inglesa, eram de fácil acesso aos palacetes da jovem Avenida Paulista e sua vizinhança, atraindo as indústrias.

Enquanto os bairros nobres nasciam arborizados em áreas elevadas e arejadas, as vilas operárias se aglutinavam no entorno das fábricas. (Fonte: Portal Brasil

Varios bairros operários nasceram com a cultura de agregar os trabalhadores: Moóca, Tatuapé, Vila Maria, Fundacao (Sao Caetano do Sul), etc. 

Taylor: o inventor dos escritorios

Frederick Winslow Taylor (1856-1915) foi um engenheiro norte-americano que mudou o mundo para sempre com seu método “revolução mental” .

Com a padronização das tarefas e a separação do trabalho fabril, e posteriormente, administrativo foi possível criar os escritórios, onde a burocracia e os controles poderiam ser desenvolvidos de maneira mais adequada.

A popularização dos carros e o incremento das linhas de bondes já não justificavam a manutenção de vilas operárias ou sociais, as pessoas poderiam se deslocar para distancias maiores, e assim, os centros comerciais começaram a proliferar.

Então surge, em 1922, o primeiro arranha-céu de São Paulo: o Edifício Martinelli.

Edifício Martinelli: o início dos centro comerciais
Foto: Google

A partir daí, a cidade cresce e conquista o posto de Capital Financeira do País.

Entretanto, sua expansão acontece com base na convergência para bairros que centralizam a economia e o fluxo de pessoas, penalizando os trabalhadores que passam a morar em locais distantes de seus eixos:

  • Avenida Paulista, 
  • Faria Lima e 
  • Berrini. 

Mobilidade x Trabalho

Segundo dados do Instituto Parar:

  • estudos revelam que 60% das empresas jamais se preocuparam com o deslocamento dos seus funcionários e nem com as consequências disso na vida ou na produtividade dos colaboradores.
  • o paulistano gasta cerca de 2:43 h por dia com deslocamentos sendo que, em média, 1:57 h são em razão de seu trabalho.

Em nosso texto O primeiro home office retratamos essa rotina na vida de Oscar. Vale a pena conferir essa história e o texto Trabalho remoto x sustentabilidade e seu quadro CONSUMO DE OSCAR COM DESLOCAMENTO PARA TRABALHAR EM 11 MESES em que fazemos algumas contas e chegamos a números impressionantes…

Chegou a hora de responder…

COMO A FLEXIBILIDADE E MOBILIDADE TRANSFORMAM O TRABALHO NAS CIDADES?

Como vimos, nosso Estado iniciou-se com a agricultura – um dos tripés do Setor Primário juntamente com a mineração e extração.

Do início do século XIX até sua última década vimos o Setor Secundário (Indústria da transformação e o artesanato) moverem com mais vigor a roda da fortuna.

Mas, logo cederam espaço para o Setor Terciário (Comércio, Serviços e Atendimento), que atualmente representa a grande maioria da nossa economia.

A parte de Serviços do setor terciário se desenvolve e multiplica a cada dia, em um mundo em que as maquinas e computadores passam a exercer alguns trabalhos que fazíamos manualmente, fica para nós humanos exercemos o que fazemos de melhor: Pensar, Interpretar, Criar, Educar, que passam a ser serviços remunerados no Setor Quartenário.

Mobilidade X Trabalho X Moradia:

A descentralização e a distribuição dos polos econômicos estão tornando-se o foco de desenvolvimento das cidades modernas ou smart cities, e dos negócios.

Estudos apontam que até 2030, teremos 50% da economia baseada em trabalhos desenvolvidos nas seguintes áreas que representam o setor Quaternário:

  • conhecimento, pesquisa, consultoria
  • ciência e arte
  • design e inovação

E com esse avanço do trabalho intelectual e da tecnologia, que não precisam de espaço fixo de trabalho, será cada vez mais viável trabalhar de qualquer lugar.

Com isso, a criação de micropolos econômicos regionais fica facilitada e as cidades começam a ser mais distribuídas, descentralizando os fluxos de transito e serviços. Reduzindo as distancias e deslocamentos, podemos fazer melhor uso de diferentes tipos de modais de transporte como os de micromobilidade.

Os espaços de trabalho já não precisam ser apenas os escritórios tradicionais, podem ser cafés, padarias, coworkings, espaços públicos, centros culturais, e podem ser tudo isso ao mesmo tempo com o conceito de espaços inteligentes multifuncionais.

Estes espaços inteligentes alem de atender as diferentes demandas do dia ou do tipo de trabalho em um mesmo local, trazem benefícios à comunidade local que pode fazer uso dos serviços, pois são concebido pensando nas necessidades locais, se adaptando ao que a região necessita.

Esse conceito pode ser aplicado em imóveis ociosos, com um estudo aprofundado e observação de uma região, podemos aproveitar de melhores formas tantos imóveis vazios que vemos pela cidade. 

Oportunidades para todos 

Espaços em áreas de grande fluxo de pessoas e que experimentam longos períodos de ociosidade, como é o caso de bares noturnos ou restaurantes que servem apenas almoço, por exemplo, estão percebendo novas oportunidades de negócios.

E também redescobrindo sua vocação diante da comunidade em que estão inseridos.

O trabalho flexível, como o home office ou out office, permite que o ser humano experimente novos espaços  e novas (e mais produtivas) formas de trabalhar.

Coworkings podem juntar improváveis companheiros de trabalho, somam conhecimento e cultura em espaços até então inimagináveis como 3ºs lugares , enquanto saboreiam um café gourmet, dividem um sofá, compartilham pontos de vista sobre a vida, ousam pensar a frente do seu tempo e reinventam o mundo.

Você é um profissional do setor quaternário? Acesse o Outoo.com e comece já a desfrutar dos benefícios de uma rotina flexível, ajudando a cidade a ser mais sustentável e humana!

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